terça-feira, 3 de novembro de 2009

POESIA INSTANTÂNEA

esta poesia que recito agora
está sendo produzida nesta hora
não que seja obra do improviso em ação
mas uma mistura de sentimento e premonição
resgatada na escuridão da noite
quando veio à nuca e me arrepiou num açoite
ouriçou meus pêlos prontos para corte
alheios sem vontade nem sorte
com um desejo único de existir
num lento e obstinado por vir
trepou nas pernas e se arrastou no peito
arrancou-me costela e me fez sujeito
exposto e doído
doido varrido
premido por um tempo falso
e uma periférica morte em meu encalço
louca e desatinada
que nunca me dirá nada
corro então cheio de pressa
nesse jogo só morro com muita peça
Rainha, bucha de sena, Rei
na poesia que pesquei
vitória anunciada por dados jogados na madrugada
no tabuleiro de uma poesia imediata.

________________________________________________
... poesia (se é que é poesia) pensada em 09 de agosto de 2009.

Nenhum comentário: